domingo, 8 de março de 2015

Renda e Gênero em São José dos Campos

Na passagem desse 8 de março, dia internacional da mulher, ocorreu a este blogueiro saldar a data com uma análise comparativa entre os rendimentos de mulheres e homens chefes de família em dois extratos econômicos. O primeiro com rendimentos entre 1 e 2 salários mínimos, o segundo acima de 20 salários mínimos, nossa área para esse estudo é o município de São José dos Campos. Trabalharemos com a seguinte hipótese: O Rendimento médio nominal das mulheres chefes de família é menor que dos homens chefes de família.
Faremos também uma análise espacial dos dados buscando a formação de cluster. Cluster são agrupamentos de objetos geográficos formadas em razão da proximidade e semelhança de características. Essa formação se dá a partir da análise de autocorrelação espacial (capacidade de irradiar uma determinada propriedade pertencente a um objeto espacial). Desejamos identificar os cluster observar onde se concentram e se são coincidentes entre os gêneros

Métodos

Trabalhamos com os dados do censo demográfico do IBGE de 2010. Para a análise tabular utilizamos o software Excel. Trabalhamos com a tabela de Renda do Responsável com as seguintes variáveis: V025, V031, V035, V041, V047, V053, V057 e V063.
Na a análise espacial foi empregado o modelo local de autocorrelação espacial de Anselin e Moran, utilizando o software ArcGIS para o processamento dos dados. Representamos no mapa apenas as áreas com alta clusterização ou seja com significância estatística de 95% ou maior, verificada a partir da abordagem da verificação dos atributos dos vizinhos. Escolhemos esse caminho por entender que os demais produtos da análise não dialogam com as questões que formulamos, assim poderiam apenas dispersar o olhar do leitor.

Resultados

Em relação a hipótese de rendimento nominal mensal maior dos homens é verdadeira para o segmento de 1 a 2 salários mínimos. No segmento acima de 20 salários o rendimento nominal médio é estatisticamente equivalente. Chama a atenção no entanto, a pequena participação das mulheres nesse extrato apenas 11,05% apenas dos chefes de família são mulheres. A desigualdade tem contornos diferenciados no topo da pirâmide econômica reservando poucos lugares para as mulheres chefes de família.


No segmento de chefes de família com renda salarial entre 1 e 2 SM, chama a atenção a renda média menor das mulheres R$777,68 frente R$834,78 dos homens.
A análise espacial dos dados geográficos nos permitiu observar que os segmentos com renda a acima de 20 salários mínimos tem uma tendência elevada a clusterização. Foram clusterizados nesse segmento 117 setores censitários para mulheres e 121 para homens. Mesmo havendo uma elevada diferença em números absolutos entre homens e mulheres nesse segmento. O mapa demonstra que estão nos mesmos lugares.
No segmento da população com chefes de família com renda nominal mensal entre 1 e 2 salários mínimos encontramos uma forte tendência de clusterização nas periferias da cidade. São 137 setores censitários clusterizados por mulheres com esse perfil de renda, sendo que 57 não apresentam clusterização para o gênero masculino.

              Na figura a visualização dos cluster para renda acima de 20 salários mínimos

No caso dos homens temos 184 setores censitários sendo clusterizados e 102 não apresentam clusterização para as mulheres com o mesmo perfil de renda.

Considerações finais

Ficou evidente a pequena participação das mulheres chefes de família no segmento de alta renda, também ficou evidente o quanto esse segmento concentra-se no território. Na outra extremidade observamos uma tendência a ocupação das periferias, ressaltamos que além da distância para o centro essas porções do território muitas vezes acumulam carências de serviços públicos. Por outro lado nesse segmento foi relevante a quantidade de setores não clusterizados por ambos os gêneros. Essa questão pode merecer uma maior atenção de políticas públicas quando por exemplo áreas com clusterização de mulheres chefes de família não dispõem de número apropriado de creches públicas. 

Na última cerimônia de entrega de Oscar a atriz Patrícia Arquete, vencedora do Oscar de atriz coadjuvante, reivindicou tratamento igualitário entre mulheres e homens.  A relevância do seu ponto de vista foi uma das inspirações desse post.

Tenha acesso completo ao mapa gerado através da aplicação em: http://migre.me/oW36d

Referências:
INPE - Curso de Análise Espacial de Dados Geográficos – Agosto de 2014
Esri – Documentação de software

Para a construção da aplicação: http://dev.img.com.br/. Acesso em datas variadas.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Objetivos Estratégicos - Elemento chave para a integração das tecnologias Geograph Information System (GIS) e Business Intelligence

A estratégia da organização deve definir as tecnologias e as integrações necessárias na composição do instrumental de inteligência que deverá apoiar a construção dos objetivos de longo, médio e curto prazo.

As definições menos decomposta, de BI o definem com o processo de coleta de dados (internos e externos), estruturação dos dados, validação dos dados, construção do Data Warehousing, extração de informações através das técnicas de mineração de dados e geração de relatórios analíticos. Então definir o quê coletar, organizar, extrair e representar está na base do problema. Alinhar aos objetivos de alto nível da organização, ao seu planejamento estratégico, não restringindo as ações operacionais pode dar um fôlego maior a solução que se pretende implantar.

Admitindo que os leitores do blog já tem um domínio sobre os conceitos relacionados ao GIS, partimos para a inserção do problema do onde. O famoso onde, delimita e limita no território muitos problemas relacionados aos objetivos de alto nível de uma organização. Nos parece que quanto mais alto o nível do problema mais presente é a geografia.

Para não restringir apenas a visões de varejo, enquanto ramo de negócio. Pensemos em demandas sociais, elas não são uniformes no território, dependente de muitos fatores. Teremos que olhar para as desigualdes regionais, infraestrutura, concentração econômica, perfil econômico, redes de acesso, questões climáticas, densidade populacional, perfil de renda e etário, oferta de profissionais, entre outros aspectos, são questões tensionadas pela geografia.

Assim uma solução de BI que pretenda apoiar tomadores de decisão na esfera governamental deverá ser alimentada por uma base de dados que deve contemplar informações territoriais em todas as escalas que se faça necessário analisar e posteriormente representar a informação.

Exemplificando um planejador que tenha no seu planejamento estratégico a melhoria dos indicadores de educação no Estados precisará desse dado decomposto, por distritos de grandes cidades, cidades, regiões metropolitanas e outros regionalizações.

A ESRI oferta componentes para a integração entre o BI e o GIS em diferentes plataformas, abaixo a arquitetura de uma solução integrada com Cognos.


Dessa forma nos parece que a necessidade da integração se defini nos objetivos da organização. A tecnologia está a serviço dos objetivos. Antes de discutir entre as diferentes plataforma é necessário se ter claro quais perguntas se pretende responder com essa solução e qual seu alcance.

A integração de sistema de gestão, informação e inteligência tem potencial elevado para apoiar o uso racional de recursos, assim pode ofertar benefícios as organizações públicas, privadas, cidadãos ou seja a toda a sociedade.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Representação cartográfica do processo eleitoral e democracia

Tem atraído minha atenção a quantidade de mapas elaborados na intenção de comunicar ao eleitor o resultado eleitoral e suas características regionais. No entanto, a valorização da cartografia sem a devida atenção aos métodos de representação tem contribuído para uma compreensão equivocada da realidade em vez de revelar a complexidade do processo eleitoral.

Representações que tratam apenas do candidato vencedor de cada território levam uma comunicação equivocada de homogeneidade. Como se em algum lugar todos os eleitores tivesse feito uma única escolha. Essa representação não contempla o resultado das urnas.

Representações binárias de fenômenos sociais tendem a alimentar interpretações binárias desses fenômenos.

Como geógrafo e profissional de sistemas de informação geográfica entendo que devo contribuir ao debate de forma propositiva. Apresento abaixo um mapa que tem o objetivo de representar a porcentagem de cada candidato por estado. Com o objetivo de representar o resultado do segundo da forma mais fiel possível a realidade.

Entendo que esse mapa é necessário para que possamos compreender nossa própria diversidade de opiniões. É fundamental numa sociedade democrática o reconhecimento da opinião divergente. Aquele que não concorda comigo existe e é um sujeito tão qualificado a fazer escolhas como eu. Esse é o ponto de vista que pretendo defender.

Mesmo em estados com maior polarização como, por exemplo, em São Paulo posição onde o candidato do PSDB obteve um excelente desempenho 35,7 % dos eleitores optaram pela candidatura governista. Na outra ponta, na Bahia onde Dilma obteve pouco mais de 70% dos votos próximo de 30% dos eleitores optaram pela candidatura oposicionista. Os casos acima são extremos na maioria dos estados encontrou-se um equilíbrio maior.

Levando em conta que a diferença entre os candidatos foi inferior a 2% como poderíamos desqualificar o divergente sem fomentar uma visão segregacionista na sociedade?



Métodos

Trabalhei com dados em porcentagem, como método de representação utilizei símbolos graduados, nesse método o técnico estabelece o tamanho máximo e mínimo para a forma que ira representar a quantificação do fenômeno. Os agrupamentos foram construídos de forma manual uma vez que os dados dos dois candidatos precisavam de uma divisão em agrupamentos semelhante e isto não foi possível por nenhum método automático.

Dessa forma o primeiro grupo de ambos foi do seu piso até 40%, o segundo de 40% a 50% e o terceiro até 65%. Esse foi o valor máximo que a candidatura de Aécio Neves obteve. Já Dilma Rousseff atingiu a casa dos 78%, assim para a referida candidata construí uma última classe de agrupamento. Dessa forma as frequências relativas ao candidato Aécio ficaram distribuídas em três grupos e as frequências da candidata Dilma em quatro, a última agrupando os valores que ficaram acima de 65%.

Na definição do tamanho mínimo da simbologia de cada um, busquei uma equivalência através da aplicação de uma regra de três, de forma que o valor inicial da candidatura oposicionista, em torno de 22% dos votos válidos, fosse proporcional ao tamanho do valor mínimo da candidatura da situação, pouco mais de 35% dos votos válidos. Para os valores máximos busquei o mesmo resultado procedendo da mesma maneira.

Ao utilizar uma cor neutra para a representação do território procurei comunicar uma visão na qual o Brasil continua e continuará pertencendo ao povo brasileiro, independente do resultado da eleição. O que se disputa em uma eleição é tão somente a gestão do governo federal, não está em disputa o Estado, quem dirá o território brasileiro.

Termino essa postagem pedindo mais rigor nas técnicas de representação, mais visão crítica na leitura das técnicas de representação. Mapas e gráficos são instrumentos de síntese por demais valiosos devemos trabalhar por sua popularização. Contudo não devemos nos omitir frente a eventuais deturpações.
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