quinta-feira, 28 de maio de 2015

Distribuição Geográfica da População com Alta Renda em São Paulo

Tomamos como objeto para representação da alta renda na cidade de São Paulo os responsáveis por domicílios com renda acima de 20 salários mínimos na segundo o censo demográfico do IBGE de 2010. Fenômeno muito interessante, na maior parte dos setores censitários sequer existe um único registro, por outro lado em algumas regiões da cidade representam o maior extrato dos responsáveis pelo domicilio.

A forma como o fenômeno está distribuído nos levou a optar por um método adequado a fenômenos dispersos. Escolhemos a representação por densidade de pontos.Esse método permite a visualização de valores absolutos, seja numa proporção 1:1 ou 1:n sabe-se exatamente quanto cada ponto no mapa representa em termos de ocorrências. Além da visualização, essa forma também permite conhecer padrões de agrupamento do fenômeno, vazios dessa ocorrência e vetores principais (Martinelli, 2014).

Até aqui a cartografia temática nos trouxe com bastante segurança, observando fenômeno de alta renda e obtendo uma resposta precisa e instantânea sempre que o mesmo aparece de forma dispersa. Porém há situações de adensamento para alta renda em uma cidade como São Paulo. Nessa circunstância perde-se em leitura instantânea.

Figura 1: Setores vizinhos porém com características distintas, a leitura não é instantânea

O patamar atual da tecnologia tem permitindo uma cartografia temática dinâmica, em que os agrupamentos de dados podem variar conforme a escala e concentrações do fenômeno no território, bem como o método de representação, que variou entre densidade de pontos e símbolos proporcionais.

Apropriando-me dos recursos da tecnologia ESRI, construí uma aplicação para a visualização da densidade dos pontos relacionados a indivíduos com alta renda na cidade de São Paulo, inicialmente na proporção de 1:1 que passaram a ser clusterizados de acordo com as necessidades de leitura da informação pelo usuário. Combinando uma representação de densidade de pontos com símbolos proporcionais.

A aplicação ainda apresenta a informação numérica sobre o total de pessoas com esse perfil, valor mínimo nominal de renda encontrado na região, médio e máximo, tudo isso para cada visualização.


Visualize em: http://migre.me/q4avM

Na aplicação acima temos um exemplo do poder síntese da realidade que os mapas possuem, potencializado pela evolução do GIS (Geography Information System) e pela disseminação das aplicações de mapas na Internet. Qual o valor dessa informação para os negócios relacionados ao público de alta renda? Informação é chave para o sucesso no mundo dos negócios e a análise geográfica vem cada vez mais fazendo parte do ambiente de trabalho dos tomadores de decisão. Das grandes navegações aos dias atuais os mapas sempre foram parte de negócios financeiramente bem sucedidos.

Martinelli, Marcello: Mapas, gráficos e redes: elabore você mesmo - São Paulo: Oficina de Textos, 2014

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Sistema de Referência Cartográfica - Breve Síntese


Em um processo de troca de conhecimentos com colegas da área de bancos de dados, fiquei com a tarefa de gerar uma pequena apresentação sobre sistemas de referência cartográfica. Deixo agora a disposição dos leitores. 
 
  


 

domingo, 8 de março de 2015

Renda e Gênero em São José dos Campos

Na passagem desse 8 de março, dia internacional da mulher, ocorreu a este blogueiro saldar a data com uma análise comparativa entre os rendimentos de mulheres e homens chefes de família em dois extratos econômicos. O primeiro com rendimentos entre 1 e 2 salários mínimos, o segundo acima de 20 salários mínimos, nossa área para esse estudo é o município de São José dos Campos. Trabalharemos com a seguinte hipótese: O Rendimento médio nominal das mulheres chefes de família é menor que dos homens chefes de família.
Faremos também uma análise espacial dos dados buscando a formação de cluster. Cluster são agrupamentos de objetos geográficos formadas em razão da proximidade e semelhança de características. Essa formação se dá a partir da análise de autocorrelação espacial (capacidade de irradiar uma determinada propriedade pertencente a um objeto espacial). Desejamos identificar os cluster observar onde se concentram e se são coincidentes entre os gêneros

Métodos

Trabalhamos com os dados do censo demográfico do IBGE de 2010. Para a análise tabular utilizamos o software Excel. Trabalhamos com a tabela de Renda do Responsável com as seguintes variáveis: V025, V031, V035, V041, V047, V053, V057 e V063.
Na a análise espacial foi empregado o modelo local de autocorrelação espacial de Anselin e Moran, utilizando o software ArcGIS para o processamento dos dados. Representamos no mapa apenas as áreas com alta clusterização ou seja com significância estatística de 95% ou maior, verificada a partir da abordagem da verificação dos atributos dos vizinhos. Escolhemos esse caminho por entender que os demais produtos da análise não dialogam com as questões que formulamos, assim poderiam apenas dispersar o olhar do leitor.

Resultados

Em relação a hipótese de rendimento nominal mensal maior dos homens é verdadeira para o segmento de 1 a 2 salários mínimos. No segmento acima de 20 salários o rendimento nominal médio é estatisticamente equivalente. Chama a atenção no entanto, a pequena participação das mulheres nesse extrato apenas 11,05% apenas dos chefes de família são mulheres. A desigualdade tem contornos diferenciados no topo da pirâmide econômica reservando poucos lugares para as mulheres chefes de família.


No segmento de chefes de família com renda salarial entre 1 e 2 SM, chama a atenção a renda média menor das mulheres R$777,68 frente R$834,78 dos homens.
A análise espacial dos dados geográficos nos permitiu observar que os segmentos com renda a acima de 20 salários mínimos tem uma tendência elevada a clusterização. Foram clusterizados nesse segmento 117 setores censitários para mulheres e 121 para homens. Mesmo havendo uma elevada diferença em números absolutos entre homens e mulheres nesse segmento. O mapa demonstra que estão nos mesmos lugares.
No segmento da população com chefes de família com renda nominal mensal entre 1 e 2 salários mínimos encontramos uma forte tendência de clusterização nas periferias da cidade. São 137 setores censitários clusterizados por mulheres com esse perfil de renda, sendo que 57 não apresentam clusterização para o gênero masculino.

              Na figura a visualização dos cluster para renda acima de 20 salários mínimos

No caso dos homens temos 184 setores censitários sendo clusterizados e 102 não apresentam clusterização para as mulheres com o mesmo perfil de renda.

Considerações finais

Ficou evidente a pequena participação das mulheres chefes de família no segmento de alta renda, também ficou evidente o quanto esse segmento concentra-se no território. Na outra extremidade observamos uma tendência a ocupação das periferias, ressaltamos que além da distância para o centro essas porções do território muitas vezes acumulam carências de serviços públicos. Por outro lado nesse segmento foi relevante a quantidade de setores não clusterizados por ambos os gêneros. Essa questão pode merecer uma maior atenção de políticas públicas quando por exemplo áreas com clusterização de mulheres chefes de família não dispõem de número apropriado de creches públicas. 

Na última cerimônia de entrega de Oscar a atriz Patrícia Arquete, vencedora do Oscar de atriz coadjuvante, reivindicou tratamento igualitário entre mulheres e homens.  A relevância do seu ponto de vista foi uma das inspirações desse post.

Tenha acesso completo ao mapa gerado através da aplicação em: http://migre.me/oW36d

Referências:
INPE - Curso de Análise Espacial de Dados Geográficos – Agosto de 2014
Esri – Documentação de software

Para a construção da aplicação: http://dev.img.com.br/. Acesso em datas variadas.
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